10

Conseguir unir a alma

Dentro de um só abraço

É tarefa para poucos

Quem quebrará esse laço?

Aquele que suaviza

A sua respiração

Não será como um bebê

Que inda não foi pro chão ?

Lavando a sua mente

E percebendo o mistério

Não haverá de ter faltas

E será levado a sério

Ao governar o seu povo

E amar sua nação

Não poderá o seu líder

Deliberar sem ação?

Quando a hora da partilha

Cruzar pelo seu caminho

Não dividirá os frutos

Como uma mãe passarinho?

Embora seja brilhante

Pelas quatro direções

Parecer ignorante

Não muda suas feições

Ele a todo o povo nutre

Mas ele a nada se apega

Persuade mas não força

Esse é o Tao, ninguém nega.

11

Com trinta raios se faz

Uma roda pra rodar

Mas é o eixo vazio

Que faz a carroça andar

Com barro se molda um pote

Que pode tudo conter

Pois é o vazio dele

Que se usa para encher

Uma casa pra habitar

Se faz com porta e janela

Mas é enchendo o vazio

Que se pode morar nela

Tudo que se vê e toca

Existe só pra ajudar

Aos seres utilizarem

O que não da pra enxergar.

12

As cinco cores unidas

Cegam e os olhos padecem

Assim como os cinco sons

Todos de vez ensurdecem

Misturar cinco sabores

Não é ideia exemplar

Pois essa combinação

Destrói qualquer paladar

No caçada e no galope

Veloz e desenfreado

Um estraga sua mente

Endoida e vira coitado

Tesouros e coisas raras

Adquiridas com luta

Desviam o ser humano

O levam a má conduta

E é por isso que o sábio

A seu estômago atenta

Refreando os seus olhos

Com pouco ele se contenta

13

O favor e a desgraça

Ambas são de ser temidas

A honra e a calamidade

São iguais a uma vida

Para ser favorecido

Alguém tem que se humilhar

Depois começa a ter medo

De seu favor acabar

E porque calamidade

A uma vida é igual

Se eu não tivesse vida

Não conheceria o mal

Assim aquele que ama

O reino tal qual a vida

Esse pode governar

Todas as nações unidas.

14

O olhamos e não o vemos

E ele é chamado invisível

O escutamos e não ouvimos

E ele é chamado inaudível

Nós tentamos agarra-lo

E não podemos pegar

Porque ele é incorpóreo

Assim como o próprio ar

Não se pode examinar

As suas três qualidades

Ainda assim quando juntas

Formam uma unidade

Seu topo não é brilhante

Seu fundo não é escuro

Para sempre inominável

Some e aparece o Ser puro

A isso denominamos

A forma do que é disforme

E semblante do invisível

Seu transcender é enorme

Quando nós o encontramos

Sua face não se mostra

E quando nós o seguimos

Não vemos as suas costas

Firmes no Tao dos antigos

Pra dirigir o presente

Conhecemos as origens

As pistas do Tao vivente.

15

Nos tempos da antiguidade

Os que tiveram valor

Para mestres se tornar

Eram sutis e profundos

Como é imenso o mar

Espirituais e sábios

Difíceis de entender

Mas mesmo assim tentarei

Seus modos esclarecer

Eles eram cautelosos

Como quem cruza um rio

No inverno tenebroso

Era esse o desafio

Eles eram relutantes

Como quem teme os vizinhos

Respeitosos como hóspedes

Quem está fora do ninho

Eles eram elusivos

Tal qual gelo a derreter

Simples como uma madeira

Que já parou de crescer

Vazios, eram como vales

Qual águas turvas do mar

Quer clarear essas águas?

Então deixe decantar

Quem cultiva o Tao eterno

Não tem desejo por mais

Sendo contente envelhece

E não quer ser jovem mais.

16

A rara vacuidade

Sempre deve ser trazida

A um grau superior

De quietude envolvida

Com incansável vigor

Tudo está em um processo

Vai nascendo e retornando

Isso se chama progresso

Muitas plantas desabrocham

Só para a raiz voltar

E retornar para a fonte

É tranquilo procurar

É mover-se em direção

A seu destino traçado

E mover-se para ele

A eternidade é igualado

Conhecer eternidade

É a iluminação

E não a reconhecer

Traz desordem e confusão

Conhecer a eternidade

Faz alguém compreensivo

Compreender abre a mente

E não se fica passivo

Ampla visão traz nobreza

Nobreza é como o céu

O celeste é como o Tao

Em seu soberano véu

O Tao é eternidade

Não é para ser temida

A decadência do corpo

E nem o final da vida.

18

Aquele que no governo

É primeiro e nunca desce

É o governante supremo

Que o povo pouco conhece

Em seguida nessa lista

Vem aquele que se aclama

O segundo governante

Aquele que o povo ama

Se o governo for um barco

Ele não larga do leme

O terceiro governante

Aquele que o povo teme

E por fim o derradeiro

Encerrando essa disputa

Vem o quarto governante

Aquele que o povo insulta

Porque se ele não confia

Naquele que é governado

Ele atrai desconfiança

Mesmo que seja amado

E então quando termina

De abrir todos os caminhos

O povo olha e exclama

Fizemos tudo sozinhos.

19

Abandone a santidade

Descarte a sabedoria

E o benefício do povo

Cem vezes mais se faria

Descarte a benevolência

Abandone a retidão

E o amor filial

Voltará ao seu padrão

Abandone a esperteza

E desista da ganância

Os ladrões e assaltantes

Partirão com elegância

Esses são três fundamentos

Que faltam em qualquer cultura

Assim se diz, ò meu filho

Apegue-se ao que dura

Seja simples, seja puro

Diminua-se agora

E deseje muito menos

Que a sua lida melhora.

20

Muitos homens se parecem

Como pessoas contentes

Que desfrutam um banquete

Assim é pra muita gente

Eu pareço deprimido

E também silencioso

Como um bebê pequenino

Que de rir não teve o gozo

Só eu sou quem aparece

Desamparado e abatido

Como sem um lar pra ir

E nunca tivesse tido

Os homens tem o batente

E mais uma vez só eu

Aparento ter perdido

Tudo aquilo que era meu

Minha mente é de um estúpido

E eu sou ignorante

Brilham os homens comuns

Somente eu sou maçante

Pessoas são tão espertas

Somente eu confusão

Parece que o mar me leva

Flutuo a deriva então

Homens tem utilidade

Só eu pareço incapaz

Sou diferente dos outros

Na grande mãe mamo em paz.

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora