64

O que está em seu repouso

É bem fácil de manter

O que ainda não surgiu

Fácil é de se prever

O fraco se quebra fácil

Não é difícil provar

O que é muito pequeno

É fácil de dispersar

Resolva todas as coisas

Antes delas existirem

Regule as coisas também

Antes das desordens virem

Uma árvore gigante

Nasce de muda pequena

A torre de nove andares

Vem de um tijolo e uma trena

A jornada de mil milhas

Com um passo se inicia

Quem age acaba estragando

Quem se apegar perderia

O sábio não ousa agir

Por isso é que não estraga

Ele não se apega a nada

Por isso é que ele não vaga

Conduzindo os seus negócios

As pessoas os destroem

Na véspera do sucesso

São essas coisas que doem

Se cuidassem bem no fim

Como cuidam no começo

Eles não fracassariam

Essa lição não tem preço

Assim o sábio deseja

É não ter desejo algum

E não da valor a coisa

Valiosa e incomum

Aprende o que os outros homens

Não tem gana de aprender

E retorna para aquilo

Que se ignora saber

Ajuda todas as coisas

No seu crescer natural

Pois ele não interfere

Ele é um sábio afinal.

65

Os antigos que sabiam

Ensinar o grande Tao

Não queriam iluminar

As pessoas em geral

Mas eles os ensinavam

A ter simples coração

E a saber praticar

Dia e noite a não ação

Governar o povo é duro

Devida a sua esperteza

Um coração agitado

Uma mente sem clareza

Governar com esperteza

É do povo a maldição

Governar sem esperteza

É benção e não é vão

Quem sabe essas duas coisas

É modelo de atitude

Conhecer esse modelo

É a profunda virtude

Essa virtude profunda

É longa e misteriosa

O inverso é de tudo

Deixa a mente curiosa

Mas através dela mesma

Que se acha a solução

Para obter sem demora

Um amável cidadão.

66

Por estarem rebaixados

Os rios e os grandes mares

No seu nível inferior

São chamados reis dos vales

Assim o homem sagrado

Aspirando estar acima

Coloca suas palavras

Debaixo e as do povo encima

Aspirando estar a frente

Deve com sua pessoa

Manter-se atrás deles todos

Gente ruim e gente boa

O sábio habita por cima

E o povo não sente o peso

A frente ele se coloca

E o povo não sofre leso

Assim, o mundo se alegra

Em exaltar esse santo

Se alegra sim, sem desgosto

Porque o adora tanto

Como ele não disputa

Com ninguém nem com o mundo

Ninguém disputa com ele

Nem mesmo por um segundo.

68

O melhor dentre os soldados

Nem mesmo gosta da guerra

E o melhor lutador

Não se ira assim não erra

O que melhor conquista

Não é a luta afeiçoado

O melhor empregador

Aceita ser liderado

Isso é habilidade

Isso é chamado virtude

É concordar com o céu

Eis a real atitude.

69

Disse um mestre militar:

“Não quero ser anfitrião

Prefiro agir como hóspede

Mesmo com as armas na mão

Não me encoraja avançar

Nem mesmo uma polegada

Melhor recuar um pé

E isso é melhor que nada

Isso é mover não movendo

Agarrar não abraçando

Enfrentar sem inimizade

É defender não lutando

Não há desgraça maior

Que humilhar o inimigo

Humilhando o inimigo

Se põe o tesouro em perigo

Por isso que no confronto

Onde as armas se igualam

Vence o que está mais triste

E é assim que nos falam.

70

A minha palavra é fácil

De compreender, praticar

Mas não existe no mundo

Alguém que a possa usar

Palavras tem uma origem

Os atos são bem regidos

Como a esses não se entende

A mim não se da ouvidos

Aqueles que me compreendem

São poucos e muito raros

Os que me seguem são nobres

Os que me amam são caros

Por isso o homem sagrado

Cobre o corpo com farrapos

E esconde suas joias

Bem debaixo dos seus trapos.

71

Saber e achar não saber

É uma coisa elevada

Não saber e achar que sabe

Eis a doença malvada

Apenas sentindo dor

Por possuir tal doença

Que nos livramos dela

E sua cruel sentença

O homem sábio é sábio

Porque ele compreende

Que ele é ignorante

E seu lamento suspende.

72

Quando o povo não tem medo

Do que deve ser temido

Então o medonho vem

O que estava adormecido

Não julgue a sua vida

Limitada mas a viva

Não julgando a sua sorte

Enfadonha e cansativa

Porque é não desprezando

Que algo se torna belo

A beleza e o apreço

Fizeram entre si um elo

Por isso o homem sagrado

A si mesmo reconhece

Mas não se evidencia

Não é que ele não merece

Por isso o homem sagrado

A si mesmo ama também

Mas ele não se estima

E ele assim vai além.

75

O motivo de haver fome

É porque os superiores

Cobras as taxas demais

Por isso a fome é voraz

É difícil governar

Porque os superiores

São intrusivos demais

Por isso há tantas dores

Porque se apegam à vida

Morre o povo facilmente

Por isso que morrem fácil

Por isso ficam doentes

Só aqueles que não usam

A sua vida pra agir

São bons em valoriza-la

Pois deixam tudo fluir.

76

O homem quando ele nasce

Suave, brando e macio

E na hora de morrer

É ríjo, duro e esguio

Com tudo é da mesma forma

Grama e árvores também

Em vida são delicadas

Em morte secam porém

Assim os rijos e duros

São companheiros da morte

E os tenros e gentis

Na vida tem sua sorte

O soldado é invencível

Quando ele não conquista

Se uma árvore cresce forte

É condenada se é vista

Os duros e inflexíveis

Tem a morada embaixo

Enquanto Tenros e brandos

Vivem acima eu acho.