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Quando todo mundo sabe

O que é belo e beleza

Surge no mundo a feiura

Causando grande tristeza

Quando todo mundo sabe

O que é bom e bondade

Surge no mundo o maligno

Um conceito de maldade

Mas o ser e o não ser

Um ao outro é que se geram

E o fácil e o difícil

Da mesma forma prosperam

Com o curto e o comprido

O alto e baixo também

Eles servem de contraste

Num falta o que o outro tem

O som e a voz unidos

Juntos fazem harmonia

O início e o começo

Se seguem qual noite e dia

Por isso o sábio conduz

Tudo aquilo por fazer

Sem nada realizar

E ensina sem dizer

Quando as dez mil coisas surgem

Ele não resiste a nada

Ele cria e não se apega

Aquela coisa criada

Ele age e não depende

Do fruto da sua ação

Alcança bastante glória

Mas não agarra ela não

Ele faz e não habita

Onde merece habitar

E é por isso que o sábio

Nunca tem de se mudar.